conexões

Seção do pilar original do Pavilhão de Barcelona, Mies van der Rohe.
maio 2023
Os sistemas construtivos industrializados se baseiam na padronização e repetição de elementos unidos por elementos de ligação. Essas conexões estruturais são fundamentais para garantir a estabilidade e segurança da construção, além de fazerem a transição entre materiais e garantir a continuidade do sistema construtivo.
Peter Märkli e o Estudo de Nós
O tema das conexões, porém, vai além da solução de uma questão de transferência de esforços e de estabilidade estrutural: em última instância, trata-se da transição entre os sistemas vertical e horizontal de uma construção.
Uma referência interessante acerca deste tema é o trabalho do arquiteto suiço Peter Märkli, que investigou este tema de forma minuciosa. De acordo com Moschetti (2022), sua pesquisa sobre o tema encontra sua origem nas colunas da casa Radulff de Olgiati, nos projetos de moldagem de Palladio, e segue até suas primeiras casas com relevos de Josephsohn acima dos pilares, alcançando finalmente a abstração máxima no nó da Picassohaus em Basel.
Uma das imagens usada por Märkli para ilustrar justamente o projeto da Picassohaus incluía duas referências arquitetônicas diferentes: o Palazzo Thiene – em que a distinção entre elementos verticais (colunas), horizontais (entablamentos) e transicionais (capitais) é bastante canônica – e o Palazzo Rucellai – onde esses elementos tendem a aproximar-se (Moschetti, 2022).
A Coluna Cruciforme de Mies van der Rohe
Se o trabalho de Märkli fez com que nos atentássemos à dimensão estética e histórico do nó e à importância deste elemento na constituição da fachada, uma referência que ganhou cada vez mais relevância em nosso processo de desenvolvimento do sistema + é a coluna cruciforme de Mies van der Rohe, presente em projetos como a Villa Tungendat e especialmente identificado com o projeto do Pavilhão de Barcelona.
Projetado por Ludwig Mies como o pavilhão nacional da Alemanha para a Exposição Internacional de 1929 em Barcelona, o edifício tornou-se um ícone seminal da arquitetura modernista do século XX, combinando uma planta livre que integra interior e exterior, planos horizontais forte e materiais expressivos incluindo pedra, vidro e aço.
Entre os diversos detalhes extremamente precisos e bem resolvidos, nosso olhar centrou sua atenção no pilar, composto por 4 cantoneiras de aço espaçadas por perfis T. O conjunto é finalmente revestido em aço inox, tendo um acabamento polido.
A Conexão do Sistema Archflex
O que nos interessou aqui foi a geometria da coluna, que cria em seu centro um espaço negativo (justamente aquele preenchido pelos perfis T) que permite acoplar outros elementos. No caso do sistema archflex, a concepção de uma conexão cruciforme nos permitiu manter a conexão contida na projeção do pilar, sendo que as abas de fixação das vigas avançam em direção ao centro da conexão, encaixando-se.
